Era sábado e o que eu tinha programado era simples. Nada, absolutamente nada.
E de repente, eu estava lá. No meio da multidão, talvez não exatamente no meio, mas eu estava ali. Tudo aconteceu muito rápido, em um segundo eu estava em casa, sem querer levantar da cama, no outro eu estava num lugar longe, com centenas de pessoas em volta. Me senti meio perdida. O dia passou devagar, quase parando. De repente eu não estava mais na multidão, eu estava lá dentro, no intimo de algo que não me pertencia de maneira alguma. E ai ele chegou. Chegou e rasgou meu peito e tomou pra ele meu coração. É, piegas assim mesmo, rápido assim mesmo. Alias, tudo aconteceu rápido demais, sem chance pra digerir tudo aquilo. Ninguém me deu a chance de pensar a respeito, só me deram escolhas rápidas a fazer. Quer? Não quer? Você vem? Você fica? Porque nós estamos indo. E eu escolhi o risco, escolhi o sonho de milhões de garotas, escolhi o momento, escolhi não digerir nada e fui. E que bom que eu fui. Que ótimo que eu fui. Não durou muito. O tempo virou incógnita porque afinal de contas, havia passado quanto tempo? Horas? Dias? Descobri que quando algo é bom demais, inimaginável demais, o resto também fica irreal.
Foram algumas horas. Bastou. Naquele momento, era o que precisava, o que deveria acontecer. Voltei pra casa no domingo a tarde, queria poder dizer que me sentia realizada, que me sentia a ganhadora da mega sena, que eu sentia que havia encontrado o príncipe, mas não posso, porque eu não sentia nada. Não havia como definir aquilo. As vezes, essas coisas acontecem. As vezes, você acorda um dia sem pretensão alguma, sem esperar nada, e coisas boas acontecem. Eu não contei pra ninguém, nem pretendo. As vezes, quando algo realmente incrível acontece, eu descobri, você não tem vontade de contar pra ninguém, por medo de que aquilo se torne de muitos, e afinal, deveria ser só seu. Tenho ciumes do que eu mesma vivi, tenho ciumes de que alguém se imagine vivendo a mesma coisa. É paranoico e distorcido, mas é como as coisas são. Não foi o nosso último encontro, para minha surpresa, consegui revê-lo por mais algumas horas naquela semana. Tão intensas quanto todas as outras, provavelmente mais, afinal, quando é que eu as terei de novo? Eu as terei de novo? Entreguei pro vento, e espero que ele não erre a direção.
Ele voltou pra casa, voltou pra vida badalada, pras festas, pras viagens, pros gritos, pra loucura que ele chama de vida. Eu fiquei, mesma faculdade, mesma casa, mesma rotina, exceto que agora deixei parte de mim ir, e espero de forma quase desumana que ela volte pra mim. Logo.
In this world there's real and make believe, And this SEEMS real to me.